sábado, 22 de julho de 2017

Elvis Presley - Elvis Now - Parte 1

Os brasileiros de forma em geral gostam bastante desse álbum "Elvis Now". As razões para isso são várias. Vai desde a inclusão de um dos maiores sucessos de Elvis no Brasil com a canção "Sylvia", passa pelo fato de ter uma das músicas mais marcantes dos Beatles, "Hey Jude" (o que levou muitos a comprarem o disco naquele distante ano de 1972), indo até seu design de capa, multicolorida, com jeitão hippie. Também foi um dos LPs mais vendidos de Elvis em nosso país, ganhando várias reedições ao longo dos anos. De fato temos aqui um excelente disco de estúdio, um pouco diferente em sua produção dos grandes discos de Elvis da época, mas que se firmou mesmo por causa de sua bela qualidade artística. Por essa época Elvis estava vivendo seu inferno astral, com o conturbado e complicado divórcio de Priscilla. Isso porém ainda era meio ocultado do público em geral, assim todos apenas pensavam que Elvis estava vivendo mais um bom momento em sua carreira profissional, cantando regularmente em Las Vegas, fazendo turnês, etc. Uma época bacana de sua vida, isso apesar das pistas deixadas por Presley em várias das letras que cantava nesse período.

Bom, é consenso que uma das razões do sucesso de vendas de "Elvis Now" foi mesmo a inclusão de uma bela versão de "Hey Jude", o clássico imortal dos Beatles. Elvis deu uma leveza toda própria à sua versão, culminando em uma sonoridade e uma performance realmente magistral. Um aspecto que gosto muito dessa gravação é que Elvis canta a balada com uma certa suavidade, uma leveza, que não havia nem mesmo na versão original dos Beatles. Isso se deveu ao fato de que Elvis na verdade não tinha programado nada no sentido de gravar a música dos Beatles. A coisa simplesmente aconteceu dentro do estúdio, quase como se fosse um ensaio sem maiores compromissos. Perceba que Elvis não segue à risca a ordem da letra original. Ele começa até mesmo com um verso errado. Também podemos perceber o quanto ele estava relaxado ao rir um pouco quase no final da faixa (coisa que nos velhos tempos inutilizaria qualquer take com pretensões de se tornar uma faixa oficial). No final das contas era apenas Elvis cantarolando uma música de que gostava, sem pressão, sem pretensão de soar perfeito. 

Outro fato curioso é que durante anos os Beatles silenciaram sobre a gravação de "Hey Jude" por parte de Elvis. Na realidade eles nem sequer existiam mais como grupo em 1972. Isso porém não evitou uma certa expectativa sobre a opinião do quarteto sobre essa faixa. Tudo ficou meio omisso até que Paul McCartney visitou Memphis durante uma de suas concorridas turnês. Ele foi até Graceland, visitou o museu, posou ao lado das guitarras que tinham pertencido a Elvis e depois, falando com a imprensa americana, confidenciou que havia amado a versão de Elvis para uma de suas maiores criações, justamente a versão de "Hey Jude" que ouvimos nesse disco. O próprio explicou tudo com seu jeito peculiar de se expressar ao afirmar: "Adoro ouvir Elvis cantando Hey Jude! É ótimo, tenho o disco até hoje comigo! Fantástica interpretação!". Assim se o próprio criador desse hino imortal dos anos 60 adorou a faixa quem somos nós para criticar qualquer coisa, não é mesmo?

Outro aspecto curioso desse disco foi a opção da RCA Victor em colocar a versão completa, sem cortes, de "I Was Born About Ten Thousand Years Ago". Como sabemos essa música foi picotada no disco "Elvis Country" de maneira até interessante, original, mas também torturante para quem queria ouvi-la completa. Para apaziguar as críticas de quem ficou insatisfeito por tê-la apenas aos pedaços no disco de 1971, a gravadora resolveu ouvir as reclamações, a selecionando aqui da forma como foi gravada, completa, sem  Interrupções ou algo do tipo. A letra, como já tivemos a oportunidade de explicar, ia bem ao encontro de algumas crenças e doutrinas religiosas que Elvis vinha estudando naqueles tempos, com referências a reencarnação e imortalidade da alma. Por isso a afirmação de se ter mais de dez mil anos! Coisas que Elvis conversava praticamente todos os dias com seu cabeleireiro e "guru" Larry Geller. Ler e debater temas religiosos era um dos passatempos preferidos do cantor, algo que ele nunca abandonou, colecionando literatura sobre o assunto até o dia em que morreu.

Pablo Aluísio. 

15 comentários:

  1. Elvis Presley - Pablo Aluísio
    Elvis Presley - Elvis Now - Parte 1
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  2. A maior critica, inclusive de fãs xiitas, ao Elvis como interprete é, de longe, essa gravação de Hey Jude. O seu post é uma novidade...

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  3. Eu sempre gostei dessa versão de "Hey Jude", por causa justamente de sua despretensão... Mas claro que isso pouco significará para os críticos de plantão...

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  4. Olá, Pablo. Eu pensei que o Larry Geller já havia saído da vida do Elvis na década de 70. Esse disco é fantástico. Gosto demais de Early Mornin´ Rain.

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    1. Olá Eunice,
      Por volta de 1967 Elvis rompeu com aquela visão esotérica e mística que ele vinha seguindo. Ele foi incentivado por Priscilla e o Coronel a largar mão disso, queimar os livros que tinha, etc. O Larry também foi colocado para o lado. Acontece que depois, com os anos, Elvis comprando todos os livros de volta e novamente passou a se encontrar com Larry. Não tinha jeito, ele gostava desse tipo de assunto.

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    2. Corrigindo: "... Elvis acabou comprando todos os livros..."

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    3. Ah, eu não sabia disso. Obrigada, Pablo. Obrigada também por sempre responder às minhas perguntas. Leio todas as respostas. Elvis é meu hobby top!!!

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  5. Eu estou assistindo, como os players me permitem, a série Sun Records. Na parte me que foca no Coronel Tom Parker, ainda na fase pré Elvis e da pra entender o que ele viu quando se deparou o Elvis. Sem dúvida foi um epifania. A música da época, principalmente em Memphis, era muito chata, caipira, melosa ou o proibido Blues dos negros. Elvis era realmente uma coisa de louco e o Coronel soube sentir e aproveitar a chance, hoje sabemos, única. Pena que nem ele entendeu que estava lidando com um novo Jesus Cristo quando falamos em termos musicais, e o Elvis o ultrapassou, mas ele não largou o osso, como, gentilmente, ou obrigado, o fez o Sam Philips e com isso sacrificou profundamente a carreira profissional de um dos maiores artistas que já pisou esse planeta.
    Nunca saberemos como seria essa história se o Coronel tivesse vendido o contrato com o Elvis a um empresário mais capacitado a lidar com grandes astros com espectro global.

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  6. Quando olhava para Elvis o Coronel Parker via uma montanha de dólares. O Sam via um artista fabuloso. Pena que em pouco tempo A visão mercantilista do Coronel prevaleceu e o resto... bom, já sabemos o que aconteceu...

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    1. Nunca vou entender essa dependencia que Elvis tinha do Coronel.
      Logo ele que sempre fez o que quis, logo Elvis que era cheio de mimos e quando abusava algo ele não voltava atras.
      Não sei se era baixa autoestima no sentido de achar que sem o coronel ele não era nada, ou se no fundo ele achava que não havia empresario melhor que o Parker. Serio, porque não me entra na cabeça achar que alguem que explora a minha mão de obra, que me suga ate a ultima gota de sangue me forçando a fazer show todas as noites sem nenhum dia para intervalo e sem descansar a voz, fosse um bom profissional.
      Sendo Elvis, com aquela personalidade que ele tinha, se fosse eu no lugar dele jogava tudo para o alto e mandava o velho ir pastar.
      E se ele exigisse algo que fosse brigar na justiça.
      Na boa, não me entra na cabeça que o mesmo Elvis que demitiu os West ou que pegava uma arma e saia atirando para todos os lados por puro capricho não me entra na cabeça que ele era capacho do velho coronel.

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    2. Na verdade nem a Priscilla, que era a esposa dele, conseguia entender essa submissão de Elvis ao Coronel Parker.

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  7. Sobre Hey Jude, o fato de o Elvis publicamente declarar que não gostava dos Beatles como pessoas, mas gravar três dos seu principais sucessos demonstra o profissionalismo do Elvis valorizando a arte do Beatles sem pensar em rusgas pessoais.
    Eu acho que a voz do Elvis em Hey Jude é uma coisa surpreendente e gostosa de se ouvir, independentemente se tecnicamente possanão ser perfeita. Afinal é a voz do Elvis em um clássico, que sempre é uma efeméride.

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  8. Eu particularmente gosto desse álbum de 1972.(Apesar de ser montado sem muito critério e com muitas sobras como Hey Jude gravada no American em janeiro de 1969 e logo descartada,só entrou pq o produtor Felton Javis teve que se virar p completar o número de faixas).

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  9. Gosto muito das músicas We Can Make The Morning,Early Morning Rain e Put Your Hand In The Hand.
    Gosto também de Sylvia que no Brasil além de ser incluída no LP também foi um single(Compacto)de destaque.

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